terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Investigação Aplicada Sobre o Desenho

A abordagem utilizada na Investigação Aplicada sobre o Desenho que, segundo os seus autores, reúne investigação educativa em moldes empíricos com ambientes baseados em teorias sobre o “design” da aprendizagem, é uma importante metodologia para se compreender como, quando e porquê as inovações educativas funcionam na prática. É inovadora porque propõe-se apresentar uma abordagem com cinco características básicas: pragmática, fundamentada, interactiva, repetitiva e flexível, integradora e contextual. Os defensores desta perspectiva argumentam que a investigação aplicada sobre o desenho traz como inovações ou vantagens o facto de nos poder ajudar a aumentar o nosso conhecimento sobre o desenvolvimento, desempenho e a manutenção de ambientes educativos inovadores. Trata-se de uma metodologia que procura impulsionar práticas através de uma análise constante e repetitiva, sempre baseada na colaboração entre investigadores e utilizadores na prática do mundo real, de modo a chegar a teorias e princípios orientadores mas sobretudo relacionados com a prática e sensíveis a ela:

a systematic but flexible methodology aimed to improve educational practices through iterative analysis, design, development, and implementation, based on collaboration among researchers and practitioners in real-world settings, and leading to contextually-sensitive design principles and theories (p. 6)

A Investigação Aplicada sobre o Desenho traz algumas vantagens em relação a outras abordagens:

· Procura não só compreender, documentar e investigar, mas sobretudo mudar e promover práticas educativas, numa vertente essencialmente prática;
· Tenta ajustar-se à prática, em contextos reais, como forma de esta validar a teoria;
· Promove intensamente a interacção entre intervenientes (investigadores, especialistas, pessoas reais no terreno);
· Sendo mais do que uma abordagem, a Investigação Aplicada sobre o Desenho é um conjunto de abordagens cujo objectivo é produzir novas teorias, artefactos e práticas que produzam um impacto no ensino e na aprendizagem em moldes naturalistas.

Dada a complexidade dos problemas tratados, esta forma de investigação não se atém a metodologias exclusivamente quantitativas ou qualitativas, recorrendo a estas indiferenciadamente, consoante as necessidades da investigação, o que faz dela uma forma de trabalhar bastante flexível.

Design-based research is integrative because researchers need to integrate a variety of research methods and approaches from both qualitative and quantitative research paradigms, depending on the needs of the research.

Trata-se de uma abordagem de cariz experimental e pragmática pois a sua preocupação é resolver problemas reais de um mundo real, numa lógica que não se coaduna com ambientes artificialmente controlados, mas que obedece exclusivamente à preocupação de conduzir a mudanças reais nas práticas educativas, algo que só se consegue por contínuo ajustamento.

Design-based research is conducted in real-world contexts replete with the complexities, dynamics and limitations of authentic practice. The way design-based research is conducted is fundamentally different from laboratory experiments that deal with a single variable, control all other factors and isolate subjects and situation from the real world.

Mas, apesar de ter um cariz experimental, não se confunde com a investigação empírica tradicional:

Como todas as perspectivas, também a Investigação Aplicada no Desenho tem as suas desvantagens ou pontos menos fortes que levam a dificuldades na sua aplicação:

· Alguns autores argumentam que não existem padrões que permitam aferir se um “design” deve ser abandonado ou se é suficientemente promissor para garantir uma futura exploração ou utilização. Além disso, dado ser uma abordagem de natureza repetitiva, consome muito tempo, o que a torna difícil de implementar, dadas as dificuldades no dia-a-dia de uma escola, com tempos delimitados para cada tarefa (algo muito familiar a todos os profissionais de educação).


· Outros críticos argumentam que falta uma forte fundamentação teórica ou que quem trabalha com base neste tipo de teorias parte para a solução de problemas com soluções pré-concebidas, tentando depois adaptá-las às situações.


· Como esta abordagem se baseiam na análise repetitiva de dados, isto leva ao acumular de informação (provinda de entrevistas, gravações, entre outras fontes) cujo tratamento torna o processo moroso e nem sempre proveitoso em termos de contribuições para a educação.


Due to the very iterative nature of DBR, it is likely that things around the research questions were repeatedly interviewed, videotaped, surveyed, and so forth. And the excess data usually result in huge efforts for analyzing, and the outcomes might only have tiny contributions to educational knowledge.


· Passar da análise dos inúmeros dados para a sua generalização nem sempre é uma tarefa fácil dada a natureza desta metodologia, em constante ajustamento, pois dada a complexidade e abundância de dados por vezes é difícil definir o que é relevante em termos de contribuição para o sucesso da abordagem.

Ao revelar-se tão flexível em termos de fundamentação teórica e aplicação prática, a Investigação Aplicada sobre o Desenho pode correr o risco de se dispersar, dado que a teoria por detrás da prática pode variar consoante o problema a resolver. Se por um lado, isto faz dela uma metodologia tão atraente por poder agradar a todos, por outro lado, pode fazê-la perder coerência ou solidez em termos de fundamentação, pois é a situação ou o contexto que dita as regras e não sei até que ponto isto não se traduz em “cada cabeça, sua sentença”;

Ao defender-se a ideia de que a relação entre teoria, actuação planeada e prática é revelada ao investigador ou participante ao longo do processo pode levar à perda da imagem global do trabalho realizado pois, a meu ver, esta relação deve estar clara de início e não ser revelada, numa espécie de processo experimental, onde se espera, com alguma sorte, obter as respostas.

Por outro lado, esta abordagem tem de francamente positivo o facto de encarar as pessoas envolvidas, mesmo os entrevistados, não como peças num processo de obtenção de dados, mas como co-participantes desse mesmo processo, sendo-lhes dado a conhecer o porquê e o para quê da sua contribuição, ao contrário do que acontece com uma abordagem psicológica experimental:


Bibliografia:
http://projects.coe.uga.edu/dbr/explain01.htm
http://www.designbasedresearch.org/reppubs/DBRC2003.pdf
http://edutechwiki.unige.ch/en/Design-based_research
http://website.education.wisc.edu/~kdsquire/tenure-files/29-jls-barab-squire-design.pdf

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