sábado, 8 de janeiro de 2011

Dificuldades na Realização de Entrevistas

Existe uma ideia pré-concebida (um preconceito?) acerca de como fazer uma entrevista: é só lançar as questões e a(s) pessoa(s) responde(m).

Agora que tive de realizar uma entrevista no âmbito desta disciplina, e apesar de conhecer bem a pessoa em causa e de haver à partida em clima descontraído (o que claramente facilitou a tarefa por eliminar os constrangimentos típicos do desconhecimento mútuo), devo dizer que a preocupação na sua correcta condução não diminuiu.

Primeiro, existe uma tendência para procurar conduzir as respostas no sentido que desejamos. Se possuímos um determinado ponto de vista, quase inconscientemente procuramos orientar a pessoa no sentido de concordar connosco, como que pela necessidade de validação. Isto só não acontece se nos limitarmos a colocar a questão e olharmos pela janela, à espera de que a resposta termine, quase como se não estivéssemos ali.

Segundo, corremos o risco de a entrevista se prolongar indefinidamente se nos envolvermos em demasia na mesma. Com isto quero dizer que como o tema nos agrada, tendemos a entrar em conversa com o entrevistado. Se por um lado, tal parece bom no sentido de até podermos aprofundar as respostas, por outro, se não assumimos o papel de entrevistador e consequente orientador do processo, arriscamo-nos a divagar, fugindo ao cerne da entrevista.

Neste aspecto, Magda Alves é bem clara:
"Deve-se deixar bem claro que o entrevistador deverá, previamente, ser treinado para melhor desempenhar a técnica, sabendo fazer um planejamento dos pontos que deseja trabalhar na entrevista, para que ele não se perca nas trocas de informações." (pág. 66)

Como não dispunha de treino prévio, considero esta entrevista um primeiro ensaio daquilo que pretendo fazer mais tarde.

Terceiro, só quando levamos efectivamente uma entrevista à prática e a realizamos, é que percebemos os seus pontos fracos e fortes. A sensação que tive, até pelas respostas que fui colhendo, é que havia questões que acabavam por se repetir, levando o entrevistado a dar a entender "bom, como eu já disse...". Isto acontece porque planeámos as perguntas tendo em conta um determinado fio condutor ou determinada linha de pensamento, esquecendo-nos que vão ser feitas a outra pessoa, que desconhece essa mesma linha. Um pouco como fazer um teste para os nossos alunos: temos sempre de procurar responder às questões antes de as dar a outrem.

Bibliografia: Alves, Magda, Como Escrever Teses e Monografias, Elsevier Editora, Rio de Janeiro, 2007

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