quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Métodos de Recolha de Dados II - Questionário

Quando se inicia um trabalho de investigação, o uso de questionários como técnica de recolha de dados ou informações é uma das várias formas de se aceder ao estudo de uma amostra da população.
Assim, foi proposta a análise da dissertação de Cidália Neto, O Papel da Internet no Processo de Construção do Conhecimento (2006), no sentido de se compreender como se desenrola o processo de definição dos objectivos que lhe presidem, quais os critérios de elaboração dos questionários e consequente tratamento estatístico dos dados obtidos.

Na página 13, a autora define claramente os objectivos que presidiram ao estudo em si:

· Verificar as condições de acesso à Internet (professores e alunos).
· Caracterizar a relação de professores e alunos com a Internet, numa perspectiva comparativa.
· Analisar as representações dos dois grupos, no que respeita à Internet e ao seu papel na sociedade, em geral, e na educação formal, em particular.
· Averiguar a forma como os alunos realizam uma pesquisa na Internet.

São objectivos de carácter geral e que revelam as intenções da autora, sendo progressivamente desenvolvidos ao longo da dissertação, nomeadamente nas páginas 64 e 65, onde a autora discrimina melhor os objectivos na base do estudo:

· Verificar a facilidade de acesso (ou não) à Internet.
· Verificar a frequência de acesso à rede.
· Apurar as razões de uma fraca navegação na Internet (se for o caso).
· Identificar os interesses que motivam o acesso à rede.
· Caracterizar a relação dos dois grupos com a Internet, em termos técnicos.
· Identificar as representações que os actores educativos têm acerca dos conteúdos presentes na Rede e sua organização.
· Verificar o grau de importância atribuída à Internet.
· Aquilatar o grau de confiança relativamente aos conteúdos que circulam na Internet.
· Comparar as perspectivas e práticas dos dois grupos alvo.

Relativamente ao grupo de professores, pretende-se ainda:

· Caracterizar a relação dos alunos com a Internet, sob o ponto de vista dos professores, em termos técnicos e cognitivos.
· Verificar se os professores ajudam os alunos nas suas pesquisas realizadas na Internet.

Verifica-se agora uma especificação da população analisada e a diferenciação naquilo que se pretende conhecer dos universos em foco.

A autora procura, ainda, proceder a uma caracterização destes universos ou, melhor dizendo, amostras, nomeadamente em termos geográficos e etários (págs. 65 e 66).

Um ponto interessante na clarificação da utilização do questionário é o facto de a autora ter utilizado uma primeira versão do mesmo, numa amostra reduzida, tendo tirado ilações da sua utilização e corrigido pontos que estavam menos bem, conforma atesta na página 66:

A fim de validar o questionário, foi elaborada uma primeira versão e submetida à apreciação de 20 alunos e 10 professores. As dificuldades, dúvidas e sugestões dos intervenientes permitiram corrigir aspectos de forma e conteúdo. Assim, foi reformulada a redacção das questões 11 e 12 e acrescentados tópicos às opções da pergunta 12.

Nunca me tinha ocorrido esta necessidade, mas faz todo o sentido pois quando projectamos um questionário, fazêmo-lo tendo muito em conta o resultado que esperamos obter, de acordo com uma ideia ou expectativa prévia. Ao proceder a uma primeira versão de questionário, podemos aperceber-nos das falhas do mesmo (por exemplo, muito extenso, questões dúbias ou pouco explícitas, etc…).

Os dados obtidos foram sujeitos a tratamento pela aplicação Excel, sendo posteriormente comentados e as conclusões retiradas.

Numa segunda parte da dissertação, mas segundo a linha orientadora da primeira, a autora propõe-se agora:

através do estudo da reacção de um grupo de alunos ao pedido de elaboração de uma pesquisa, aquilatar os ganhos efectivos, em termos de conhecimentos adquiridos e desenvolvimento de estratégias cognitivas, que tal pesquisa proporcionaria. (pág. 83)

Define, em seguida, dois grupos de trabalho, propondo objectivos específicos para cada um, caracterizando-os em termos etários e sócio-culturais. A autora define, também, a metodologia seguida:

observação directa dos alunos, análise dos trabalhos realizados e aferição dos conhecimentos adquiridos. (pág. 84)

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